{"id":2083,"date":"2015-06-17T17:40:50","date_gmt":"2015-06-17T20:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radio97fm.com\/?p=2083"},"modified":"2016-03-23T17:36:35","modified_gmt":"2016-03-23T20:36:35","slug":"compositor-hyldon-comemora-40-anos-de-na-rua-na-chuva-na-fazenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radio97fm.com\/v2\/2015\/06\/17\/compositor-hyldon-comemora-40-anos-de-na-rua-na-chuva-na-fazenda\/","title":{"rendered":"Compositor Hyldon comemora 40 anos de \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"dslc-theme-content\"><div id=\"dslc-theme-content-inner\"><p style=\"text-align: left;\">Em 1975, com apenas 24 anos de idade, o baiano Hyldon j\u00e1 era um produtor conhecido e respeitado no meio. Ent\u00e3o contratado da PolyGram \u2013 atual Universal \u2013, ele foi respons\u00e1vel por produzir e tocar em \u00e1lbuns consagrados de artistas como Odair Jos\u00e9, Erasmo Carlos, Wilson Simonal, Luis Melodia, Jerry Adriani e Wanderl\u00e9a, entre outros. Por\u00e9m ainda faltava lan\u00e7ar o principal disco de sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Desde que chegou ao mercado, naquele mesmo ano, o LP \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda\u201d tem presen\u00e7a obrigat\u00f3ria na discografia de qualquer amante da soul music brasileira. Al\u00e9m da faixa que lhe d\u00e1 nome, o \u00e1lbum conta com outras que tocaram bastante nas r\u00e1dios, como \u201cNa Sombra de Uma \u00c1rvore\u201d, \u201cAs Dores do Mundo\u201d, \u201cAcontecimento\u201d e \u201cVamos Passear de Bicicleta\u201d. Para comemorar as quatro d\u00e9cadas do lan\u00e7amento, Hyldon traz agora o CD \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda \u2013 A Origem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como o t\u00edtulo indica, o trabalho apresenta as 12 can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum original da forma como elas surgiram. \u201cGravei todas as m\u00fasicas s\u00f3 com voz e viol\u00e3o, do jeito que eu as mostrava para o Waldir Arouca Barros (maestro que colaborou na cria\u00e7\u00e3o dos arranjos)\u201d, explica o artista. \u201cFiz umas dobras de voz para ficar com o mesmo esp\u00edrito. Foi uma maneira de curtir aquela sensa\u00e7\u00e3o, de voltar a tocar aquelas m\u00fasicas. Isso me remeteu ao in\u00edcio de tudo\u201d. A princ\u00edpio, o projeto deveria ser restrito \u00e0 internet, algo parecido com essas videoaulas de viol\u00e3o que est\u00e3o dispon\u00edveis em alguns sites. \u201cNo in\u00edcio eu pensava em colocar s\u00f3 no YouTube, para o pessoal que sabe tocar. Mas a coisa foi ganhando uma propor\u00e7\u00e3o legal e acabou virando disco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A turn\u00ea comemorativa teve in\u00edcio nos dias 9 e 10 de janeiro, no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo (SP). No dia 23 de junho, ser\u00e1 a vez do Teatro Net Rio, na capital carioca, receber os grandes sucessos de Hyldon. Ao contr\u00e1rio do que acontece no disco, nas apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo ele conta com sua banda, Zona Oeste. \u201cEstou com esses m\u00fasicos h\u00e1 muito tempo e tenho o maior prazer de tocar com eles. Estamos planejando fazer um DVD com o repert\u00f3rio desses shows. Ent\u00e3o a turn\u00ea serve como ensaio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>A BATALHA PELO DISCO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/www.portalsucesso.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maxresdefault.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-72590 alignleft\" src=\"http:\/\/www.portalsucesso.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maxresdefault.jpg\" alt=\"maxresdefault\" width=\"232\" height=\"230\" \/><\/a>Aquela sequ\u00eancia matadora de produ\u00e7\u00f5es citadas no primeiro par\u00e1grafo serviu como uma esp\u00e9cie de aquecimento para o debut fonogr\u00e1fico de Hyldon. \u201cS\u00f3 aceitei trabalhar na PolyGram com a condi\u00e7\u00e3o de poder gravar meu pr\u00f3prio disco\u201d. A primeira grava\u00e7\u00e3o surgiu em 1973, quando um cantor que Hyldon iria produzir n\u00e3o conseguiu chegar ao est\u00fadio. Ent\u00e3o, ele aproveitou que os m\u00fasicos estavam todos ali e registrou as primeiras m\u00fasicas. \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda\u201d (Casinha de sap\u00ea) foi a que mais chamou aten\u00e7\u00e3o de Jairo Pires, executivo da companhia. Lan\u00e7ada em um compacto \u2013 que tamb\u00e9m incluiu \u201cMeu Patu\u00e1\u201d \u2013, a faixa estourou no Brasil inteiro, abrindo caminho para um segundo compacto, lan\u00e7ado em 1974, com as m\u00fasicas \u201cAs Dores do Mundo\u201d e \u201cS\u00e1bado e Domingo\u201d. \u201cEsses compactos estouraram sozinhos, sem trabalho de divulga\u00e7\u00e3o. Os programadores descobriram e come\u00e7aram a tocar por conta pr\u00f3pria. A gravadora disse que foi sorte de principiante\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Apesar do sucesso, a rela\u00e7\u00e3o de Hyldon com a Polygran nunca foi f\u00e1cil. A resist\u00eancia do artista em ceder \u00e0s ordens que vinham de cima acabou adiando em dois anos o lan\u00e7amento do primeiro Long Play. \u201cA dire\u00e7\u00e3o queria que eu fizesse apenas um lado do disco com m\u00fasicas minhas. O outro seria de covers, como \u201cAngie\u201d, dos Rolling Stones. N\u00e3o aceitei, pois era compositor, n\u00e3o int\u00e9rprete\u201d, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Entre 1973 e 1975, Hyldon e os executivos da gravadora viveram em cabo de guerra. Ao mesmo tempo em que batia o p\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao projeto para seu disco, ele continuava produzindo os maiores sucessos do casting da Polygran. \u201cEm oito meses, meu disco foi tr\u00eas vezes para a f\u00e1brica. Sempre voltava quando o Andr\u00e9 Midani (ent\u00e3o presidente da gravadora) descobria. No final das contas, ele liberou a fabrica\u00e7\u00e3o s\u00f3 para n\u00e3o me perder como produtor. Para se ter uma ideia, em 1975, dos dez discos mais vendidos da companhia, quatro eram produzidos por mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando o disco chegou ao mercado, Hyldon se cansou das batalhas com a gravadora, largou tudo no Brasil e foi espairecer uns dias em Nova York (EUA). \u201cAcabei ficando oito meses por l\u00e1. Fui para ver de perto as coisas que de que gostava. Fui conhecer o Harlem, o teatro Apollo. Vi shows de Marvin Gaye, Tempations, Al Green e ainda comprei um piano. Tive at\u00e9 convite para gravar por l\u00e1, mas quis regressar porque estava com saudade do Brasil\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao voltar e novamente discordar dos planos da gravadora para sua carreira, Hyldon decidiu gravar um disco sem qualquer apelo comercial \u2013 \u201cDeus, a Natureza e a M\u00fasica\u201d \u2013, que, por consequ\u00eancia, passou despercebido pelo p\u00fablico. \u201cQueria ir embora da Polygran, ent\u00e3o fiz um disco de despedida mesmo. Era totalmente experimental, com m\u00fasicas mais longas e algumas instrumentais. N\u00e3o tinha nem foto na capa, o que era uma loucura\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como desejado, Hyldon saiu da gravadora. Na verdade, de algumas gravadoras. Seus trabalhos posteriores n\u00e3o repetiram a mesma repercuss\u00e3o de \u201cNa Rua, Na Chuva, Na Fazenda\u201d. \u201cEu, Tim Maia e Cassiano brigamos com v\u00e1rias discogr\u00e1ficas. O pessoal chamava a gente de \u2018Esquadrilha da Fuma\u00e7a\u2019\u201d, diverte-se. \u201cN\u00e3o me arrependo da forma como defendi minha arte. At\u00e9 hoje, n\u00e3o deixo as coisas externas influ\u00edrem na minha m\u00fasica, porque n\u00e3o posso expressar meu sentimento se estiver preso \u00e0 ditadura de modismos\u201d, afirma. Por\u00e9m, com a experi\u00eancia que a vida lhe trouxe, ele analisa que poderia ter feito as coisas de forma diferente. \u201cMeu \u00fanico arrependimento \u00e9 n\u00e3o ter me preparado melhor para enfrentar uma gravadora multinacional. Eu ia l\u00e1, falava as coisas e batia de frente. Adoro o Andr\u00e9 Midani, reconhe\u00e7o a import\u00e2ncia dele para o mercado musical brasileiro, mas na \u00e9poca me faltou jogo de cintura para discordar das ideias dele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Somente no in\u00edcio dos anos 90, Hyldon voltaria a ver uma m\u00fasica sua na boca do povo novamente. \u201cEu quase n\u00e3o tinha show agendado e o dinheiro dos direitos autorais havia sido confiscado. Ent\u00e3o, precisava arrumar alguma coisa para fazer. A\u00ed, tive a ideia de fazer um disco infantil para o Seu Boneco, personagem do Lug de Paula na \u201cEscolinha do Professor Raimundo\u201d (Globo)\u201d. Entre as m\u00fasicas desse \u00e1lbum, estava uma que se tornou grito de guerra de v\u00e1rias torcidas de clubes de futebol. \u201cEu j\u00e1 estava com a m\u00fasica pronta, mas faltava um refr\u00e3o. Certo dia, antes de dormir, veio a frase que estava faltando \u2018\u00ea \u00f4 \u00ea \u00f4, Seu Boneco \u00e9 o terror\u2019\u201d. Algum tempo depois, o artista teve mais uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel. \u201cFoi um presente quando vi a torcida do Vasco, meu time desde criancinha, cantando a minha m\u00fasica\u201d, relembra.<\/p>\n<\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1975, com apenas 24 anos de idade, o baiano Hyldon j\u00e1 era um produtor conhecido e respeitado no meio. Ent\u00e3o contratado da PolyGram \u2013 atual Universal \u2013, ele foi respons\u00e1vel por produzir e tocar em \u00e1lbuns consagrados de artistas como Odair Jos\u00e9, Erasmo Carlos, Wilson Simonal, Luis Melodia, Jerry Adriani e Wanderl\u00e9a, entre outros. 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